:: MOVIMENTOS MIOFASCIAIS ::

• A fáscia é constituída de tecido conjuntivo fibroso formado por colágeno e elastina recobrindo praticamente toda a superfície da pele em uma rede tri-dimensional da cabeça aos pés ininterruptamente, se invaginando em determinadas regiões do corpo. A partir da base do crânio envelopando-o através das meninges: Dura Mater, Pia Mater e Aracnóide. Da Pia Mater a fáscia se estende envolvendo cada fibra nervosa formando o endoneuro, ao envolver cada fibra muscular forma o endomísio, ao envolver órgãos e vísceras, no pulmão forma a pleura visceral, no intestino forma o peritônio visceral. Seguindo, temos a Aracnóide envolvendo um feixe nervoso dando origem ao perineuro, da mesma forma envolve feixes de fibras musculares formando o perimísio, nos pulmões forma a cavidade pleural, no coração forma o pericárdio e no intestino forma o mesentério. Envelopando todas as estruturas temos a Dura Mater, que ao envolver vários conjuntos de feixes nervosos forma-se o epineuro, quando envolve vários feixes musculares dá origem ao epimísio, ao mesmo tempo em que envolve os pulmões dando origem à pleura parietal, e ao envolver a região abdomino pélvica e intestinos recebe o nome de peritônio.

 

• Desta forma a fáscia Fazendo um “rocambole” de todas as estruturas indivisivelmente se torna o elemento material que vai integrar todas as estruturas.
“Fáscia é um conjunto membranoso, muito extenso, no qual tudo está ligado, em continuidade, uma entidade funcional, uma peça única. O menor tensionamento, seja ativo ou passivo, repercute sobre o conjunto. Todas as peças anatômicas podem, dessa forma, ser consideradas mecanicamente solidárias entre si, em todos os campos da Fisiologia” (BIENFAIT, 2000– p.15 as bases fisiológicas da terapia manual).
O estudo da fáscia, recentemente, trouxe à tona evidências a cerca de sua ação sistêmica e integradora, vista como: “Um conjunto membranoso muito extenso no qual tudo se encontra ligado” (BIENFAIT, 2000 – p.19).
Forma uma peça única, um conjunto tissular (tecido conjuntivo). Tensões recorrentes provocam perda de elasticidade gerando atitude de defesa do organismo. Uma espécie de vestimenta do corpo, uma indumentária que além de recobrir o corpo se prolonga “envelopando” todas as estruturas.
As células conjuntivas são chamadas de blastos; no osso serão chamadas de osteoblastos. Na cartilagem recebe o nome de condroblastos no tecido fibroso são chamados de fibroblastos, e assim por diante. São células estreladas que se comunica por prolongamentos protoplásmicos, constituindo um sistema morfofuncional com o tecido conjuntivo variando em: espessura, densidade, acúmulo de gorduras e em quantidades relativas de fibras colágenas e elásticas bem como em quantidade de fluido tissular, de acordo com exigências locais e integram todas as estruturas. A função fisiológica dos blastos é exclusivamente a de secretar colágeno e elastina. Não se sabe ainda qual o mecanismo que conduz a secreção da elastina. Porém, o que conduz a secreção do colágeno é a tensão do tecido. Por ser instável, o tecido colagenoso das fáscias pode ser alongado. A prática do Tai Chi Ch’uan promove o alongamento fisiológico que sendo um estímulo benéfico promove o seu crescimento. Já o alongamento anormal do estresse quotidiano dá origem a uma “atitude de defesa” do tecido que se densifica, fica mais sólido, perde de elasticidade o que compromete sua função mecânica e provoca mais perda de elasticidade originando um ciclo vicioso que acelera seu processo de envelhecimento conduzindo com freqüência a ossificação ou artrose. Com isso, os espaços lacunares vão ficando cada vez mais reduzidos comprometendo a circulação dos fluidos vitais.


• Ao estudarmos a biomecânica fascial bem como os efeitos das tensões sobre a mesma, onde a propagação das tensões sobre o sistema miofascial ocorre em oposição a um apoio de forças compressivas, vemos que os ossos são os elementos de compressão, enquanto que a fáscia ao seu redor é o elemento de tensão. Partindo desse referencial ao analisarmos o encadeamento dos movimentos do Tai Chi Ch’uan tanto as posturas quanto os movimentos de transições de uma postura para a outra,esticam,reflexionam,recurvam, giram e torcem cada um dos 710 diferentes músculos espalhados por todo o corpo. Isso se dá especialmente nas extensões dos tecidos periféricos que são mais susceptíveis a deteriorização e degeneração sendo ativados pela contração dos músculos dando a oportunidade para que cada músculo trabalhe inclusive os músculos que pouco ou nunca são usados nas atividades de vida diária. Determinadas posturas serão repetidas com a finalidade de trabalhar certos músculos que exigem maior atenção. Junto com os músculos também ocorrem movimentos nos sistemas miofascial e neuro-vascular. No encadeamento da seqüência do Tai Chi Ch’uan o movimento nas fáscias começa pelo pé (dedos, sola e calcanhar), tornozelos e pernas, ascendendo ao longo da coluna vertebral subindo para a cabeça. Depois descendo e se concentrando ao redor da cintura, que se constitui o pilar principal e eixo de sustentação do peso do corpo e do equilíbrio corporal (centro de massa ou centro de gravidade). Ele se estende mais à cima para o pescoço e cabeça e ao longo dos ombros e braços para terminar nos dedos. Cada mudança de postura consiste de dois até quatro movimentos menores que se envolvem alternadamente, o erguer ou abaixar do corpo, deslocando-se para frente e para trás ou derivando num ângulo de 45º a 180º para a direita ou esquerda e/ou um círculo completo em torno do eixo vertical do corpo. Esses gestos não sendo corriqueiros no nosso corpo, têm como finalidade não somente efetivar a contração de todos os músculos principais e periféricos com seus nervos, mais também melhorar e vitalizar a perspicácia e sensibilidade de todo o sistema nervoso e vascular.
Cada movimento envolve o deslocamento alternado do peso do corpo de uma perna para a outra sendo sempre sincronizado com a respiração. No curso do movimento lento, somente através da longa prática o corpo pode ser balançado em uma perna firmemente e toleravelmente. Os movimentos são realizados vagarosamente, levemente, e calmamente de fácil comodidade e continuidade por todo o curso, que pode levar de 15’ a 30’ sem qualquer intervalo de tempo ou de seqüência.
Como cada movimento deve ser sincronizado com cada respiração, a respiração vagarosa e profunda (aspecto essencial do exercício) pode ser realizada por um movimento igualmente lento. A sucessão continua dos movimentos lentos, leves, calmos, e firmes só podem ser executados com a coluna sempre mantida ereta e a mente conscientemente concentrada e totalmente relaxada, por todo o curso, o que vai excluir qualquer pensamento irrelevante. Os movimentos são sempre executados com todas as partes do corpo em união e harmonia para constituir um ato conjunto do pé (dedos, solas, calcanhares), pernas, cintura, abdômen, ombros, pescoço, cabeça (com os olhos observando e os ouvidos ouvindo), braços, cotovelos e mãos (palmas, dedos). A coluna e a cintura são pilares de sustentação e eixo, pés firmemente aderidos ao chão, às outras partes do corpo evoluem, em pares simultaneamente ou alternada e ritmicamente. Devemos nos sentir como um peixe se impulsionando sob a água ou como um pássaro planando deslizando sobre o ar, esquecendo todas as preocupações do mundo e atingindo um estado elevado de serenidade. Ao concluir os exercícios, haverá ausência de cansaço, mas também um sentimento de vigor renovado, o corpo relaxado e aquecido dos dedos dos pés aos dedos das mãos com respiração profusa, mas sem respiração ofegante nem batimento cardíaco excessivo. O efeito combinado da ativação da comunicação nervosa, circulação sanguínea estimulada, fluxo intensificado e drenagem do fluído linfático e relaxamento mental integrado². Isso resume admiravelmente como esta arte da saúde e exercícios ajudam a um homem ou a uma mulher a educar a mente pelo exercício do corpo e como exercitar o corpo sob a direção e impacto da mente. Mente e corpo se integram por intermédio da respiração que conscientemente empregada promoverá o direcionamento do efeito piezoelétrico pelas fáscias até o sistema nervoso central e este nos responderá com uma ação sistêmica, que revitalizará cada célula de nosso corpo.


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